Francês
Estudo francês, pois é a raiz da qual eu mais sei e a que mais neguei. Neguei, talvez porque meu bisavô também a tenha negado de algum forma quando um dia decidiu vir aqui viver e nunca mais voltar. Talvez porque algo da França nele e no seu filho, Rennè, meu avô, também tenha morrido quando minha bisavó morreu ainda jovem. Não sei do que ela morreu. Mas sei que meu avô tinha em torno de 15 anos e eu podia ver a marca dessa dor quando o conheci com seus mais de 60 anos.
Sei que essa raiz também foi negada quando meu avô não pode tirar a cidadania por algum motivo militar sem sentido, e isso o feriu muito.
Quando a dor é grande, é melhor esquecer.
Mas também acho que a neguei, por não querer me identificar com o colonizador, que ajudou a construir o país, mas também a aprofundar a ferida do racismo e da injustiça social no Brasil.
Mas diante de tudo, das dores dos antepassados e as minhas próprias questões identitárias, ainda assim, a França é mais contornada das minhas raízes. De outro lado, sei que vim da Alemanha de uma das partes da minha vó de pai (Yedda), de Minas por parte de meu avô de mãe (Marcílio) e São Paulo de avó de mãe (Olívia). Mas é da origem francesa que ouvi mais de costumes, comida, jeito de ser.
Estudar francês é como fazer as passes com algo que eu sou, é como me olhar no espelho e me achar bela. E um jeito de estar com meu pai. Uma ajuda para curar as feridas dos meus antepassados, que ainda se expressam em mim e que já é hora de sararem.
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