Queria chorar a angústia do mundo em seus hospitais, em suas favelas, em suas idades e suas comorbidades. Queria chorar os corpos que não puderam ser velados. Chorar o medo que tive de perder meu pai, a saudade do meu amor, o cansaço das noites mal dormidas, o agradecimento por cada reza dedicada. Formar um grande rio salgado a encontro do mar. Um rio para diluir as pedras do coração.
Queria poder abraçar meus colegas de trabalho como se fossem irmãos e dizer-lhes que partilho de suas ansiedades e sinceramente perguntar-lhes sobre suas famílias e sobre suas dificuldades nestes dias. Dar uma pausa no trabalho só para ser humana junto com eles. Temo que ainda precisaremos de mais tempo nesse estado para amolecer todos os corações.
Às vezes, tenho a impressão que as pessoas não querem sentir o que está acontecendo. Como se isso as fosse deixar mais vulneráveis. Para mim, não sentir é o que me enfraquece. Quando deixo o sentimento vir, percorro o rio que me leva até mim e lá consigo ponderar com mais calma o que tem sentido nesse momento. Lá está minha confiança e minha força, então, vou atrás de encontrar e criar espaços onde eu possa sentir. Eu sei que este é o meu caminho.
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