Nuvem na cabeça
Na trilha, teve choro, teve solidão, teve também abraço insperado, luz entrando suave na floresta. Era confuso o caminho, pois não era caminho, era a cada hora uma decisão. E a cada uma delas, é que o caminho se revelava um pouco mais. Nada suficiente para ver mais que poucos metros adiante. Na cabeça, uma nuvem constante, um faro falho e uma fada invisível a sugerir passos. Então, percebi meus pés, minhas pernas, a força do meu abdômen. A respiração revelou-se uma fonte. Inspirei e, por um instante, me vi. No alto de um dos montes, sentei numa pedra grande, que tinha ares de quem, por muito vivido, sabia acolher todos os tipos. Atrás de mim, a mata fechada por onde eu vinha. Ela exalava um cheiro de formigas, abelhas, cigarras, besouros, pernilongos, aranhas, cobras. Dei-me conta que ela havia me apresentado pássaros variados, sementes de muitos formatos. Ela tinha me mostrado onde a água bebê nasce e do que ela gosta de brincar. Também senti na pele a mensagem de rusticidad...